agosto 5, 2008

O Primo Basílio conta a história de Luísa, jovem sonhadora e ociosa da sociedade lisboeta, que acaba envolvida por Basílio, seu primo, com quem se reencontra, após anos de distância. Achando-a sozinha, já que Jorge, o marido, viajara a negócios, Basílio serve-se de toda a sedução e galanteios, até levá-la a se envolver profundamente consigo, tornando-se sua amante. Juliana, a criada, descobre a correspondência trocada por ambos e chantageia a patroa.
Após sofrer muitas humilhações e ter que se submeter aos caprichos da crudelíssima criada, Luísa consegue, ajudada por um amigo, reaver as cartas e, Juliana, pressionada a entregá-las, ante as ameaças, acaba morrendo do coração. Após tanto sofrimento, Luísa adoece. Basílio, de há muito, encontra-se longe de Lisboa. Jorge regressa ao lar. Certo dia, chega uma carta do primo para a esposa e o marido intercepta a correspondência e toma conhecimento de tudo que ocorrera.
Desesperado e sofrendo demasiadamente, ainda assim Jorge resolve perdoar Luísa. Ela, no entanto, piora muito ao saber que o marido descobrira tudo o que fizera de errado, e vem a falecer. A reação de Basílio, ao saber da morte dela, é de pesar, por ter perdido sua diversão em Lisboa. Destaca-se, ainda, na obra, a figura do Conselheiro Acácio, amigo do casal, caricatura repleta de formalismo e hipocrisia.
A obra, um dos clássicos da literatura, é de Eça de Queirós.
Personagens:
Jorge – é engenheiro e trabalha no Ministério das Obras Públicas. Bonito, tem a barba curta, muito fina e frisada. Veste-se com gosto, aprecia a ordem. Não é muito sentimental, não vai a botequins, não fazem noitadas com amigos, mantendo-se sério desde que era solteiro, em seus tempos de estudante.
Luísa – moça loira, tem olhos castanhos. Sua vida é muito vazia e torna-se uma mulher fútil. Até a chegada de Basílio, não carrega arrependimentos nem culpas. Está sempre em sua casa, apegada a sua leituras românticas. É amiga de Leopoldina, uma mulher leviana e devassa.
Basílio – é primo de Luísa e foi seu namorado, em tempos anteriores. Pedante, convencido, é cínico demais, aventureiro, conquistador. Os cabelos são pretos, mas já apresentam alguns fios branco e é anelado. Seu bigode é pequeno e lhe dar uma ar de coragem, orgulho e atrevimento. Sabe cantar bem e seduz com perseverança e experiência.
Sebastião – é um amigo íntimo de Jorge. É a única figura realmente boa e decente, dentre os que freqüentam a casa de Jorge e Luísa. Conservador, tímido, acanhado, mostra-se um pouco antiquado para a época.
Julião – é um parente afastado de Jorge. Fala mal de tudo e de todos. É contra o governa, o sistema, a justiça do mundo. Quando recebe um cargo público, porém, as aparências se alteram. Torna-se então, um “amigo da ordem”.
Acácio – é aparentemente sério, excessivamente moralista, contudo mantém relações sexuais com sua emprega. Importante é que se mantenha o sigilo desses seus dois lados, pensa ele, mantendo-se as aparências. Formalíssimo, educadíssimo, adora usar frases feitos;
Ernestinho: é primo de Jorge. Seu sobrenome, Ledesma, dá-lhe um ar ridículo, de lesma pegajosa. É pequeno, pálido, romântico, escreve seguindo o interesse do público. A peça Honra e Paixão, escrita por ele, é um dramalhão de caráter romântico. De vontade fraca, não tem estilo próprio.
Juliana – personagem de peso, a mais complexa e elaborada de toda a obra, ela impressiona por sua vida anterior. Magra, feia, solteirona, virgem, empregada há muitos anos, sente-se desesperada, ao perceber que não terá meios para deixar esta condição de vida. Quer progredir, mudar sua posição social e fica arrasada todas as vezes em que se vê seus sonhos frustrados. Cada vez mais, azeda-se, odeia crescentemente.
Em sua revolta, assim como na de Julião, existe apenas uma atitude pessoal, individualista, egoísta, de quem quer resolver os próprios problemas econômicos, progredir socialmente, sem preocupações classistas. Recebeu apelidos sugestivos como a “tripa velha”, “a isca seca”, “a fava torrada”, “o saca rolhas”. O determinismo marca-a, mostrando que não teria possibilidades de um novo destino, o que faz dela um exemplo de personagem negativista, pessimista, retrato do Naturalismo.
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julho 18, 2008
Neste ano, além dos 200 anos da vinda da Corte portuguesa, o Brasil comemora duas datas muito mais satisfatórias: 100 anos da morte de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) e 100 anos do nascimento de João Guimarães Rosa (1908-1967). São nossos dois maiores escritores, ou formulemos assim: Machado é o maior escritor brasileiro do século XIX e Rosa é o maior escritor brasileiro do século XX. O século XXI ainda não viu o equivalente de Machado e Rosa.
É muito fácil, no entanto, discorrer sobre como Machado e Rosa são diferentes. Machado é urbano, intimista e irônico; Rosa, sertanejo, mítico e metafísico. Machado talvez não gostasse do estilo cheio de palavras difíceis e pontuações heterodoxas de Rosa. Rosa se queixou da “afetação” de Machado, embora em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras – co-fundada por Machado, que foi seu primeiro presidente – tenha cumprimentado o “ver claro e quieto” do autor de Dom Casmurro e embora sua própria literatura não deixe de ter “afetação”.
O mais importante é parar e examinar o quanto há em comum entre eles, afora sua posição no cânone literário nacional. Chamo atenção para duas coisas. Primeiro, ambos são artistas-pensadores, tanto que não diziam fazer “romance” no sentido tradicional, “romance de costumes”, e sim “romance de análise” (Machado) e “contos filosóficos” (Rosa). Não estavam interessados apenas em narrar uma historinha superficial, mas em revelar correntes profundas, universais, do comportamento humano. Não temo afirmar que, nesta terra de escassos pensadores, e com a licença de Pelé e Tom Jobim, Machado e Rosa foram nossos dois únicos gênios.
Segundo, ambos são artistas-pensadores que se dedicaram a pensar o Brasil. Não para lhe dar uma “identidade” ou “síntese”. Sempre rejeitaram esse conceito essencialista de que a arte deve resumir uma cultura nacional. Mas pensaram o Brasil porque mergulharam nos microcosmos em que cresceram e viram neles toda sua riqueza de implicações. Machado, que dizia que o “instinto de nacionalidade” é um “certo sentimento íntimo”, escreveu sobre a transição de mentalidades envolvida na troca da monarquia pela república, criticando o fato de que grupos de poder se alternam sem que a estrutura mude. Rosa, que dizia que a “brasilidade” é “indefinível”, escreveu sobre um país à margem da civilização, iletrado, que oscila entre o arcaico e o moderno. Ambos admiravam os “bons instintos” (Machado) do brasileiro, mas criticaram o atraso do país, muitas vezes justificado como preservação desses bons instintos.
Eruditos, leitores da Bíblia e de toda a literatura universal, criadores de linguagem que trouxeram experimentos inéditos para a prosa brasileira, preocupados sobretudo com as dualidades da vida, eles examinaram a alma difusa dos indivíduos em geral e dos brasileiros em particular. Não por acaso, escreveram com conto de mesmo nome, O Espelho, em que os personagens procuram por sua figura e jamais a vêem nítida… Tomara que o Brasil utilize as efemérides para se enxergar mais profundamente nesses dois grandes espelhos literários.
Leia também:
Vidas Secas – Graciliano Ramos
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maio 15, 2008

A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Sinhá-Vitória, a mãe, os dois filhos e a cachorra Baleia. Fabiano é um vaqueiro, homem bruto que tem enorme dificuldade em articular palavras e pensamentos, que se sente um bicho e muitas vezes age como tal, grunhindo e se portando como um selvagem. Não tem aspirações e nem esperanças, do mesmo modo como não se tolera e não tolera o mundo em que vive. Sinhá-Vitória, sua esposa, se sai melhor em seus pensamentos e diálogos, apesar de restritos. Seu sonho é uma cama de couro, como a de um homem chamado Tomás da bolandeira. Essa personagem, que nunca aparece a não ser na memória das outras personagens, é também uma espécie de herói e modelo para Fabiano: culto, detentor de sabedoria, da arte da palavra e do pensamento, por isso mesmo admirado.
O menino mais novo parece não ter nome e nem uma forma comum de se comunicar. Sua única aspiração é ser como Fabiano. Nas mesmas situações está o filho mais velho, que só quer um amigo, conformando-se com a presença da cachorra Baleia. Esta, muitas vezes, parece ter um pensamento mais linear e humano que o resto da família, portando-se não só como um bicho, mas como um ente, uma companheira que ajuda Fabiano e sua gente a suportar as péssimas condições.
A história se desenvolve com o estabelecimento da família numa fazenda e a contratação de Fabiano como vaqueiro. Este, certa ocasião, vai até a venda comprar mantimentos e se põe a beber. Aparece um policial, chamado por Fabiano de Homem Amarelo, que o chama para jogar baralho com outros. O jogo acontece e, numa desavença com o Soldado Amarelo, Fabiano acaba sendo preso, maltratado e humilhado. Aumenta sua insatisfação com o mundo, com sua própria condição de homem bruto e selvagem do campo, e o desprezo de outras pessoas, encarnadas agora na figura do Soldado Amarelo.
Solto nosso herói, a vida segue na fazenda. Sinhá-Vitória começa a desconfiar do patrão, que parece roubar nas contas de Fabiano. Este se aborrece, mas não pode fazer nada. Não entende as complicadas contas que o patrão faz, e não sabe dialogar com ele. A festa de natal na cidade só serve para aumentar o descontentamento de Fabiano e sua família com o resto do mundo. Sentem-se diferentes, inferiores, desprezados e humilhados por milhares de “patrões” e “soldados amarelos”. Baleia adoece e Fabiano e vê na árdua tarefa de sacrificá-la. Fere o pobre bicho com um tiro, mas não consegue matá-lo, já que este foge para longe. Baleia vem a falecer durante a noite, perto da casa, sonhando com um mundo cheio de lebres…
Sentindo-se cada vez mais lesado pelo patrão, Fabiano resolve argumentar contra esse, mas, sob ameaça de despejo, resolve deixar o assunto quieto, o que lhe causa uma indignação cada vez maior. Sua indignação com o mundo chega ao extremo quando encontra, na volta da venda após ter tomado alguns goles, o Soldado Amarelo, que estava perdido no mato. Fabiano percebe o seu medo e seu corpo franzino em relação ao seu, e tem a idéia de matá-lo, descontar toda a sua raiva e seu descontentamento. Sentindo-se, entretanto, fraco e impossibilitado, resolve deixar pra lá, ensinando o caminho de volta para a cidade ao soldado. Seu sentimento de revolta é agora intensificado pela impotência…
Como não bastasse, a seca atinge a fazenda e faz com que toda a família fuja novamente, só que esta vez para o sul, em busca da cidade grande, sem destino e sem esperança de vida.
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Escrito por blogye21
abril 18, 2008
Este último romance de Eça de Queirós foi publicado em 1901, um ano após sua morte. Retirado do conto “Civilização”, tem sido considerado, junto com as obras “A Ilustre Casa de Ramires” e “Correspondência de Fradique Mendes”, uma trilogia, cujo ponto comum é a crítica ao ambiente social e urbano de Portugal.Como o próprio nome da obra revela (a cidade se opõe ao campo), pretende criticar o progresso técnico, urgente e rápido, na virada do século 19 para o 20. Eça de Queirós julgava, ao fim da vida, que o homem só era feliz longe da civilização. Por isso, a temática mais forte da obra é contra a ociosidade dos que têm dinheiro na cidade, e sua vida burguesa, ou seja, o acúmulo irrefletido de dinheiro.
Um interessante foco narrativo
Dizem os críticos que neste romance Eça aproveita para fazer seus personagens “olharem” as imagens que ele mesmo via quando criança. É um bucolismo romântico que volta e contamina seu romance. Na verdade, porém, quem conta a história e as aventuras por que passa o personagem principal Jacinto Galião, é um amigo seu, José Fernandes, que também está na história, mas sente-se menos ilustre que Jacinto, herdeiro rico e personagem central de crítica de Eça de Queirós à riqueza.O romance começa assim:
“O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival”.
Esse foco narrativo (ou seja, essa maneira de contar a história) tem um nome técnico,
“eu-como-testemunha”, e é muito apropriado para obras que desejam ser críticas, pois o personagem-narrador acompanhará o protagonista em suas aventuras; e, como contará a história tempos depois, pode ser bem crítico e analisar melhor o que aconteceu. No caso, o apego de Fernandes ao protagonista tem ainda outra razão: este narrador quer entender o que faz um homem rico (nascido em Paris, capital da França) trocar tudo pelo campo, no interior de Portugal.
Enredo: a Vida fácil no campo
Embora muito inteligente e capaz, Jacinto vive do dinheiro herdado da família. Desde pequeno tudo dava certo em sua vida. Já adulto, elegante e culto, parece achar que os males humanos seriam curados com a volta das pessoas à vida no campo.É muito fácil pensar assim, quando, tendo muito dinheiro, não se precisa plantar, nem colher, nem viver as privações do trabalho agrícola. Há, portanto, um moralismo simplificador nesta obra, que faz com que alguns críticos julguem o personagem um pouco tolo, e Eça de Queirós um tanto superficial.
De início, a maior preocupação de Jacinto era defender o progresso, a civilização e a cidade grande. Achava ele que ser civilizado era enxergar adiante, ver o futuro. José Fernandes (narrador e seu amigo) fica espantado quando reencontra Jacinto em Paris, em sua mansão na Avenida Campos Elísios (Les Champs Elysées), número 202. Há todo o tipo de modernidade e luxo, além de uma biblioteca com milhares de títulos dos principais escritores e cientistas do mundo.
Convidado por Jacinto a morar em Paris, o narrador percebe (e nos conta) que Jacinto vai-se decepcionando com a superficialidade das pessoas com quem convive. Ele passa a conviver mal com o barulho da cidade, com o movimento e burburinho das pessoas em festas e reuniões e com a tecnologia, que sempre o deixa na mão.
A ida para o campo
Os incidentes da vida moderna davam, na verdade, tédio em Jacinto. Seu criado fiel, Grilo, conta ao narrador que o mal de seu patrão “era fartura”. “O meu Príncipe sente abafadamente a fartura de Paris…”, diz ele. Jacinto, numa mudança existencial, passou a achar que Paris era uma ilusão, tudo era abafado e não havia grandeza na cidade: comerciantes, cortesãs, famílias desagregadas era a única realidade. Começa a filosofar, e o narrador nos conta o que ele dizia: “o burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado – e contra ele são impotentes os prantos dos humanitários…”Um dia Jacinto decide: mudará para Tormes, sua propriedade rural, onde seus avós estavam enterrados. Ambos os amigos partem então de Paris para as serras. Nosso narrador ainda diz que Jacinto afirmava que “encontrariam o 202 no interior”, contando, é claro, com o conforto daquela propriedade, um castelo.
As coisas não dão tão certo: o advogado do milionário não o esperava chegar tão cedo, as malas da viagem ficaram perdidas e os dois amigos ficaram a pé para atravessar a serra. Pior: ninguém da casa sabia que eles viriam. Por isso não havia conforto, nada estava preparado.
O milagre da comida caseira
Irritado, sem saber viver sem conforto, Jacinto afirmou que iria a Lisboa. Mas Melchior, o caseiro, arranjou-lhes uma comida simples, sem taças de cristal nem porcelana. Começa a mudança do protagonista: “Diante do louro frango assado no espeto e da salada (…) a que apetecera na horta, agora temperada com um azeite da serra digno dos lábios de Platão, terminou por bradar: ‘É divino’.”Apaixonado pela nova vida, o dono da mansão do “202″ em Paris ficará em Tormes, mesmo sozinho, pois seu amigo, o narrador, havia partido para outra cidade. Intrigado com essa espantosa decisão do amigo, José Fernandes volta a visitá-lo e o encontra forte, corado, “parecia um camponês”.
O campo muda o homem
Conhecendo a pobreza que há nos campos, Jacinto começa a cuidar dos humildes. Queria fazer benfeitorias, trazer certa “civilização” ao interior de Portugal. Numa das festas desse mundo interiorano, conheceremos também a ignorância e o atraso em que viviam os camponeses. Havia (nos conta o narrador) uma “mentalidade política atrasada, absolutista”, enquanto nas cidades havia novas doutrinas e teorias (como o positivismo, com o qual simpatizavam por ambos, Jacinto e José Fernandes).Numa das visitas à família do amigo, Jacinto conhecerá a prima de Fernandes,
Joaninha, uma camponesa típica. Apaixonado, o rico rapaz acaba casando-se com ela, tem dois filhos sadios e alegres. Depois de cinco anos de felicidade, o dilema existencial entre a “cidade e as serras” se resolverá, finalmente, pois chegarão à fazenda os caixotes antes embarcados em Paris e perdidos há anos. Jacinto aproveitará muito pouco do que há de “civilização” nas malas.E o narrador, depois de passar mais algum tempo em Paris, volta ao campo definitivamente, convencido de que Jacinto estava certo: era bem melhor a vida no campo.
O livro termina desta forma:
“E na verdade me parecia que, por aqueles caminhos, através da natureza campestre e mansa – o meu Príncipe (..), a minha prima Joaninha (…) e eu (…), tão longe de amarguradas ilusões e de falsas delícias (…), seguramente subíamos para o Castelo da Grã-Ventura.”
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Passar no vestibular é possível?!
Dom Casmurro – Machado de Assis
Iracema – José de Alencar
Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel A. de Almeida
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abril 8, 2008
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Escrito por blogye21
abril 7, 2008
Dom Casmurro
Machado de Assis
Análise da obra, seleção de textos e questionário
FERNANDO TEIXEIRA DE ANDRADE
Escrito para sair diretamente em livro, o que ocorreu em 1900 embora com data do ano anterior, o terceiro romance da “trilogia” realista de Machado de Assis sugere três leituras sucessivas: a primeira, romanesca é a história da formação e decomposição de um amor, do idílio da adolescência, passando pelo casamento, até a morte da companheira e do filho duvidoso; a segunda, próxima do romance psicanalítico e policial, é o libelo acusatório do marido-advogado à cata de prenúncios e evidências do adultério, tido por ele como indubitável; e a terceira, mais instigante, deve ser realizada à contracorrente, pela inversão do rumo da desconfiança, transformando em réu o próprio narrador, em acusado o acusador. Este, na ânsia de convencer a si mesmo e ao leitor da culpa da mulher, monta uma rede intrincada de armadilhas para defender a reputação de um-cidadão-acima-de-qualquer-suspeita que, estando com a palavra, tenta seduzir o “fino leitor” e a “castíssima leitora”, ganhar-lhes a simpatia.
É preciso ler com o pé atrás as memórias desse cavalheiro bem falante, distinto, sentimental, meio desajeitado nas questões práticas, mergulhado nas recordações da infância, venerador de sua mãe e obcecado pela primeira namorada. Nas entrelinhas, nas passagens opacas, nos atos falhos, nos raciocínios truncados, nas minudências aparentemente irrelevantes, ficam inúmeras pistas de um depoimento não apenas do narrador, mas também sobre o narrador. Aí, em lugar do memorialista emocionado e sincero, do cidadão exemplar, surgem os sintomas do ressentimento, do recalque, da “paranóia”, da imaginação delirante de um homem inseguro, dominado por duas mulheres — a mãe e a amada —, um homem que se reconhece menos homem do que Capitu era mulher.
O enigma é Bentinho, não Capitu, e as linhas tortuosas de suas memórias e de seu caráter compõem uma charada de difícil decifração. Mas há várias pistas: a metáfora dos “olhos de ressaca”, dos “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”; o paralelo com o drama shakespeariano de Otelo e Desdêmona; a aproximação com a ópera do velho tenor Marcolini (o duo, o trio e o quatuor); as “semelhanças esquisitas”; as relações “suspeitas” com Escobar no seminário; a lucidez de Capitu e o obscurantismo de Bentinho; a imaginação delirante e perversa do ex-seminarista; o preceito bíblico de Jesus, filho de Sirach, que bem poderia servir de epígrafe: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, como quer o narrador, também o memorialista casmurro, esquisitão, quase homicida e suicida, já estava dentro do menino mimado, filhinho-da-mamãe, inseguro e possessivo.
A pista mais recente foi levantada por John Gledson, em O Realismo Enganoso de Machado de Assis – Uma interpretação Divergente de Dom Casmurro. Retomando a questão do ponto de vista suspeitíssimo do narrador, o crítico identifica, sob a agitação sentimental do primeiro plano, a presença de interesses sociais relacionados à organização e à crise da ordem patriarcal. Para o universo carrança, bolorento e recalcado de Dona Glória, com seus viúvos, agregados e escravos, a energia e a liberdade de opinião da mocinha moderna e pobre, atrevida e irreverente, lúcida e atuante, tornam-se intoleráveis. Os ciúmes do menino rico, de família decadente, do bacharel típico do Segundo Reinado, condensam uma problemática social ampla, por trás daquele novo Otelo que difama e destrói a amada.
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abril 4, 2008
“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba [...]” Com essas palavras, José de Alencar começa “Iracema”, a que chama “Lenda do Ceará” e que é, na verdade, um texto de difícil classificação.
Trata-se claramente de um romance se consideramos seu enredo. Por outro lado, é um poema em prosa, se levarmos em conta o estilo, em que predomina o lirismo amoroso e a exploração do vocabulário indígena no português falado no Brasil.
Certamente um ponto altíssimo no conjunto da obra de José de Alencar, “Iracema” – apesar das dificuldades que a linguagem pode apresentar ao leitor de hoje – merece de fato ser lido, do começo ao fim.
O texto é muito breve, com cerca de 80 páginas nas edições mais recentes. No entanto, seu enredo é repleto de aventuras e peripécias, bem ao gosto do Romantismo, escola literária da qual Alencar é um dos maiores expoentes no Brasil.
Enredo
A história se inicia com o guerreiro branco Martim Soares Moreno, amigo dos índios pitiguaras, que habitavam o litoral, perdendo-se nas matas. Lá foi encontrado por Iracema, a deslumbrante virgem, filha do pajé Araquém, da tribo dos tabajaras, habitantes do interior da região.
Iracema acolheu o jovem branco e o levou para sua tribo, onde ele foi recebido como hóspede e amigo. Ao inteirar-se da celebração que os tabajaras faziam a seu grande chefe Irapuã, que vai comandá-los num combate aos pitiguaras, Martim resolveu fugir, naquela mesma noite. Iracema o impediu, pedindo-lhe que aguardasse a volta de seu irmão Caubi, que poderia guiá-lo pelas matas.
Triângulo amoroso
Aos poucos, surge um afeto entre Iracema e Martim, que logo se transformou em paixão. A situação se complica, pois Irapuã também estava apaixonado pela índia e tentou matar Martim quando este já deixava a aldeia, após descobrir que Iracema, por ser filha do pajé e guardiã do segredo da jurema, deve permanecer solteira.
No entanto, a união dos dois se consuma numa noite em que Martim, em sonho, imaginou possuir Iracema, sendo que esta de fato se entregou a ele. Desse modo, quando Martim decide partir para escapar a Irapuã e aos tabajaras, Iracema lhe revelou a verdade e se dispôs a segui-lo. Os dois partiram ao encontro de Poti, chefe dos pitiguaras, que considerava Martim seu irmão. Foram seguidos por Irapuã e os tabajaras, o que resulta no conflito entre as duas tribos adversárias.
Mesmo sofrendo pela derrota de seu povo e pela morte de muitos dos seus, Iracema segue Martim e passa a viver com ele na tribo de Poti. Com o passar do tempo, porém, Martim se mostra desinteressado pela esposa, parece sentir saudades da civilização de onde veio, mas sabe que não pode ir para lá e levar Iracema com ele. Nesse ínterim, o guerreiro branco – que adotou o nome indígena de Coatiabo – enfrenta diversos combates, enquanto Iracema engravida de um filho seu. Ainda assim, a índia sofre as constantes ausências do marido e definha de tristeza.
O filho do sofrimento
Ao voltar de uma batalha, Martim encontra Iracema com seu filho – a quem ela chamou Moacir, que significa “o filho do sofrimento”. A índia está extremamente debilitada. Só teve forças para entregar o filho ao pai e pedir-lhe que a enterrasse aos pés de um coqueiro de que ela tanto gostava. O lugar onde Iracema foi enterrado passou a se chamar Ceará – segundo a tradição, Ceará significa canto da jandaia, a ave de estimação de Iracema.
Sofrendo a perda de Iracema, Martim retorna a sua pátria com o filho. Quatro anos depois, volta novamente ao Brasil, onde ajuda a implantar a fé cristã, convertendo Poti, que recebeu o nome de Felipe Camarão. Os dois ajudaram o comandante Jerônimo de Albuquerque na luta contra os holandeses. Quando podia, Martim ia ao local onde Iracema estava enterrado e se deixava consumir pela saudade.
O simbolismo da narrativa de Alencar é evidente: do cruzamento das duas raças – o europeu e o índio – nasce o brasileiro. Nesse sentido, a obra é uma expressão do Indianismo que caracterizou a primeira fase do Romantismo no Brasil. O país – cuja independência completava 43 anos à publicação de Iracema (1865) – precisava valorizar suas raízes e sua história, para afirmar-se como nação livre e soberana.
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março 31, 2008
Cabe um parênteses ao blog. Gostei muito dessa reportagem sobre Machado de Assis além de ser muito pertinente aos vestibulandos. Abraços.
fonte: Caderno Cultura do Jornal Estadão.
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Minha alma e meu coração têm Machado de Assis sempre presente. Eu li O Alienista no colégio. Sou muito influenciado por Machado, porque ele inaugura aqui uma literatura de risos e lágrimas. É discípulo de Gógol e Dostoiévski. Enquanto Dostoiévski pretendia o pan-eslavismo dominando o mundo, Machado queria a “brasilificação”, mas com uma mensagem superior, de doçura. Ele considera já lá atrás tudo o que seria tropicalista, tudo o que seria a nossa cultura atual, a diversidade. Ele sabia do amálgama, conceito de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838).
O personagem Quincas Borba, que aparece nas obras Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, declarou a filosofia do humanitismo. Ela é muito próxima do Kaos com K (teoria de Mautner desenvolvida na Trilogia do Kaos, composta pelos livros ‘Deus da Chuva e da Morte’, 1961; ‘Kaos’, 1963; e ‘Narciso em Tarde Cinza’, 1965, e concebida como “uma dialética, materialista, conflituada, sempre em movimento”), que é a inclusão de tudo.
O humanitismo é uma antropofagia anunciada, mas escrita no nível de um clássico eterno, e que absorve brasileirismos. Dostoiévski apresenta a análise da alma humana. Mas Machado de Assis é mais suave, e mais penetrante como investigador de almas. Ele tem a filosofia de absorver as coisas, na qual os contraditórios estão claramente descritos.
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O CETICISMO MACHADIANO
O ceticismo dele é o máximo da filosofia humanista, depois dos estóicos e dos epicuristas. É o alto humanismo. Esse ceticismo é todo dirigido ao ser humano, inclusive com piedade, ele é piedoso. Machado percorre todos os clássicos. Faz isso com observações profundíssimas, antecipando-se a visões sociólogas de grande alcance como a de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.
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UMA CENA AGUDA
É só lembrar a cena em que o ex-escravo Prudêncio, depois de alforriado pelo pai de Brás Cubas, bate no escravo que adquiriu, chamando-o de bêbado. “Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas -, transmitindo-as a outros. Eu, em criança, montava-o, punha-lhe um freio na boca, e desancava-o sem compaixão; ele gemia e sofria. Agora, porém, que era livre, dispunha de si mesmo, dos braços, das pernas, podia trabalhar, folgar, dormir, desagrilhoado da antiga condição, agora é que ele se desbancava: comprou um escravo, e ia-lhe pagando, com alto juro, as quantias que de mim recebera. Vejam as sutilezas do maroto!” (trecho do capítulo 68 de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’).
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ESTILO MALEMOLENTE
A diferença de Machado é que seu estilo tem malemolência e o português dele é uma língua brasileira, como no samba de Noel Rosa (Não Tem Tradução), “tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia/ é brasileiro/ já passou de português”.
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AS RELEITURAS
Suas obras me fazem companhia o tempo todo. Estou relendo Quincas Borba. Está escrito no início do capítulo 45: “Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.” Aí são os risos e choros encarados filosoficamente. Machado é o ápice da coisa mais sonhada por todo artista: a harmonia de medidas, que, em vez de deter o movimento, acaba por estimulá-lo mais. Ele tem o caminho do meio. Machado tem a primeira visão do Brasil universal e profundo. O humanitismo, do Quincas, tem a ver com o Kaos com K. E nada mais claro do que o manifesto produzido por esse personagem.
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NAMORO COM OS PERSONAGENS
Todos os personagens têm vida própria, eu converso o tempo todo com eles, que na verdade são o próprio autor. As cenas vêm como relâmpago na memória. Eu até namoro os seus personagens, que passam a viver dentro do imaginário e falam comigo nos sonhos e quando estou acordado. A presença de Machado é predominante em mim, tanto pela clareza como bom senso. A medida é ele. Todas as medidas da malandragem e das coisas ocultas. Ele capta o todo, todas as diferenças, as nuances do amor e do ódio. O suposto afastamento de que ele se serve para escrever é banhado de emoção. No fundo, como um estóico, ele tem a piedade.
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MACHADO MESTIÇO
A mestiçagem é um fato fundamental. Ser mulato é ter no DNA e nos neurônios a captação de duas etnias, de dois mundos. Existe essa relação de ódio e amor. De submissão e desejo de liberdade. Machado sabe do sofrimento do outro, mas ele o transcreve com toda humanidade, sem demagogia. Ele é implacável. Ele é político com pê maiúsculo. Ele não tem preconceitos. Machado é o antinazismo, pois ele é a mistura de raças. Lembro o que Walt Whitman (1819-1892), o maior poeta dos EUA, disse: “O vértice da humanidade será o Brasil.”
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março 27, 2008
Memórias de um Sargento de Milícias Manuel A. de Almeida “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, foi lançado originalmente sob a forma de folhetim, em “A Pacotilha” – o suplemento literário do jornal “Correio Mercantil”, do Rio de Janeiro, entre 27 de junho de 1852 e 31 de julho de 1853. Só nos dois anos seguintes se transformaria num livro, publicado em dois volumes. Divertido, o romance mostra a vida da “baixa sociedade” no Rio antigo.
Esse romance merece destaque e ocupa um lugar ímpar na história da literatura brasileira, na medida em que se distancia muito dos modelos românticos que prevaleciam na época de sua publicação: a visão de mundo que ele expressa não é marcada por traços idealizados e sentimentalistas. Ao contrário, o autor se vale de um estilo objetivo e realista, semelhantes ao das crônicas históricas e de costumes.
Isso pode ser visto desde as primeiras linhas do texto, onde o jovem Manuel Antônio, que tinha 21 anos ao escrevê-lo, faz questão de deixar claros a data (“Era no tempo do rei.” – no caso, dom João 6o) e o local (“Uma das quatro esquinas que formam as Ruas do Ouvidor e da Quitanda [...]” – no centro do Rio de Janeiro) onde sua história vai se desenrolar.
Tipos populares
Além desse caráter realista, entretanto, o romance põe em foco, com traços caricaturais, os tipos populares, a “arraia miúda”, do Rio de então. A sociedade brasileira (que mal começava a se esboçar naquele momento) é vista pela perspectiva dos pobres, ao contrário do que acontece nas obras de Joaquim Manuel de Macedo ou dos romances urbanos de José de Alencar.
Tendo como personagem principal um anti-herói, que se chama Leonardo, “Memórias de um Sargento de Milícias” relata seus esforços para driblar as adversidades de sua condição social e, ao mesmo tempo, se aproveitar ao máximo dos intervalos de sorte que tem na vida. São esses os mesmos motivos que impelem a grande maioria das personagens do romance.
Romance picaresco
Nesse sentido, “Memórias de um Sargento de Milícias” se filia à tradição do romance picaresco, que se origina na Espanha, com a publicação de “Lazarillo de Tormes”, de 1554. A expressão “pícaro” refere-se “àqueles que vivem de astúcias, ardis, trapaças” e, nesse sentido, deu origem a um dos sentidos da palavra “picareta”, muito usada ainda hoje. O pícaro ou picareta se vale desses expedientes para garantir sua sobrevivência e tem, com toda certeza, uma visão cínica da realidade que o cerca.
É precisamente o caso de Leonardo, enjeitado pelos pais pouco depois do nascimento, criado pelo padrinho e, depois, pela madrinha, e que logo dá mostras de seu verdadeiro caráter. O romance narra suas aventuras e desventuras na “baixa sociedade” fluminense, até que ele é preso pelo Major Vidigal – um personagem que existiu mesmo: Miguel Nunes Vidigal, chefe da Guarda Real, criada pelo rei em 1809, para policiar o Rio de Janeiro.
Jeitinho brasileiro
O Vidigal é o símbolo da repressão arbitrária e socialmente injusta, temida por todos aqueles que – tenham ou não problemas com a lei – são pobres e não dispõem de recursos, nem contam com a amizade de algum poderoso que eventualmente possa ampará-los num momento de necessidade.
Enfim, o que não falta são reviravoltas à narrativa de “Memórias de um Sargento de Milícias” e, graças a intervenção da madrinha de Leonardo e de uma amiga sua – ex-amante do major Vidigal – o anti-herói acaba por ingressar na milícia e ser promovido ao cargo de sargento a que se refere o título.
Vale insistir no valor documental e sociológico do romance e lembrar que se trata de uma narrativa divertida e bem humorada, que ainda hoje pode fazer o leitor passar alguns momentos muito agradáveis, enquanto se prepara para uma prova na escola ou mesmo para o vestibular.
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março 24, 2008
‘Auto da Barca do Inferno’
Para se compreender o ‘Auto da Barca do Inferno’ deve-se ter em mente que essa obra foi escrita em um período da história que corresponde à transição da Idade Média para a Idade Moderna. Gil Vicente se enquadra nesse exato momento de transição – está ligado tanto ao medievalismo quanto ao humanismo - pensa em Deus e ao mesmo tempo que exalta o homem livre.
Antes de mais nada, “auto” é uma designação genérica para peça, pequena representação teatral. Originário na Idade Média, tinha de início caráter religioso; depois tornou-se popular, para distração do povo. Foi Gil Vicente (1465-c. 1537) que introduziu esse tipo de teatro em Portugal.
O “Auto da Barca do Inferno” (c. 1517) representa o juízo final católico de forma satírica e com forte apelo moral. O cenário é uma espécie de porto, onde se encontram duas barcas: uma com destino ao inferno, comandada pelo diabo, e a outra, com destino ao paraíso, comandada por um anjo. Ambos os comandantes aguardam os mortos, que são as almas que seguirão ao paraíso ou ao inferno.
Chegam os mortos
Os mortos começam a chegar. Um fidalgo é o primeiro. Ele representa a nobreza, e é condenado ao inferno por seus pecados, tirania e luxúria. O diabo ordena ao fidalgo que embarque. Este, arrogante, julga-se merecedor do paraíso, pois deixou muita gente rezando por ele. Recusado pelo anjo, encaminha-se, frustrado, para a barca do inferno; mas tenta convencer o diabo a deixá-lo a rever sua amada, pois esta “sente muito” sua falta. O diabo destrói seu argumento, afirmando que ela o estava enganando.
Um agiota chega a seguir. Ele também é condenado ao inferno por ganância e avareza. Tenta convencer o anjo a ir para o céu, mas não consegue. Também pede ao diabo que o deixe voltar para pegar a riqueza que acumulou, mas é impedido e acaba na barca do inferno.
O terceiro indivíduo a chegar é o parvo (um tolo, ingênuo). O diabo tenta convencê-lo a entrar na barca do inferno; quando o parvo descobre qual é o destino dela, vai falar com o anjo. Este, agraciando-o por sua humildade, permite-lhe entrar na barca do céu.
O frade e a alcoviteira
A alma seguinte é a de um sapateiro, com todos os seus instrumentos de trabalho. Durante sua vida enganou muitas pessoas, e tenta enganar também o diabo.Como não consegue, recorre ao anjo, que o condena como alguém que roubou do povo.
O frade é o quinto a chegar… com sua amante. Chega cantarolando. Sente-se ofendido quando o diabo o convida a entrar na barca do inferno, pois, sendo representante religioso, crê que teria perdão. Foi, porém, condenado ao inferno por falso moralismo religioso.
Brísida Vaz, feiticeira e alcoviteira, é recebida pelo diabo, que lhe diz que seu o maior bem são “seiscentos virgos postiços”. Virgo é hímen, representa a virgindade. Compreendemos que essa mulher prostituiu muitas meninas virgens, e “postiço” nos faz acreditar que enganara seiscentos homens, dizendo que tais meninas eram virgens. Brísida Vaz tenta convencer o anjo a levá-la na barca do céu inutilmente. Ela é condenada por prostituição e feitiçaria.
De judeus e “cristãos novos”
A seguir, é a vez do judeu, que chega acompanhado por um bode. Encaminha-se direto ao diabo, pedindo para embarcar, mas até o diabo recusa-se a levá-lo. Ele tenta subornar o diabo, porém este, com a desculpa de não transportar bodes, o aconselha a procurar outra barca. O judeu fala então com o anjo, porém não consegue aproximar-se dele: é impedido, acusado de não aceitar o cristianismo. Por fim, o diabo aceita levar o judeu e seu bode, mas não dentro de sua barca, e, sim, rebocados.
Tal trecho faz-nos pensar em preconceito anti-semita do autor, porém, para entendermos por que Gil Vicente deu tal tratamento a esse personagem, precisamos contextualizar a época em que o auto foi escrito. Durante o reinado de dom Manuel, de 1495-1521, muitos judeus foram expulsos de Portugal, e os que ficaram, tiveram que se converter ao cristianismo, sendo perseguidos e chamados de “cristãos novos”. Ou seja, Gil Vicente segue, nesta obra, o espírito da época.
Representantes do judiciário
O corregedor e o procurador, representantes do judiciário, chegam, a seguir, trazendo livros e processos. Quando convidados pelo diabo para embarcarem, começam a tecer suas defesas e encaminham-se ao anjo. Na barca do céu, o anjo os impede de entrar: são condenados à barca do inferno por manipularem a justiça em benefício próprio. Ambos farão companhia à Brísida Vaz, revelando certa familiaridade com a cafetina – o que nos faz crer em trocas de serviços entre eles e ela.
O próximo a chegar é o enforcado, que acredita ter perdão para seus pecados, pois em vida foi julgado e enforcado. Mas também é condenado a ir ao inferno por corrupção.
Por fim, chegam à barca quatro cavaleiros que lutaram e morreram defendendo o cristianismo. Estes são recebidos pelo anjo e perdoados imediatamente.
O bem e o mal
Como você percebeu, todos os personagens que têm como destino o inferno possuem algumas características comuns, chegam trazendo consigo objetos terrenos, representando seu apego à vida; por isso, tentam voltar. E os personagens a quem se oferece o céu são cristãos e puros. Você pode perceber que o mundo aqui ironizado pelo autor é maniqueísta: o bem e o mal; o bom e o ruim são metades de um mundo moral simplificado.
O “Auto da Barca do Inferno” faz parte de uma trilogia (Autos da Barca “da Glória”, “do Inferno” e “do Purgatório”). Escrito em versos de sete sílabas poéticas, possui apenas um ato, dividido em várias cenas. A linguagem entre os personagens é coloquial – e é através das falas que podemos classificar a condição social de cada um dos personagens.
Valores de duas épocas
Escrita na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a obra oscila entre os seus valores morais de duas épocas: ao mesmo tempo que há um severa crítica à sociedade, típica da Idade Moderna, a obra também está religiosamente voltada para a figura de Deus, o que é uma característica medieval.
A sátira social é implacável e coloca em prática um lema, que é “rindo, corrigem-se os defeitos da sociedade”. A obra tem, portanto, valor educativo muito forte. A sátira vicentina serve para nos mostrar, tocando nas feridas sociais de seu tempo, que havia um mundo melhor, em que todos eram melhores. Mas é um mundo perdido, infelizmente. Ou seja, a mensagem final, por trás dos risos, é um tanto pessimista.
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